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Demissão no fim do ano gera mais risco trabalhista?

  • Foto do escritor: Raffaella  Zaccagnini
    Raffaella Zaccagnini
  • 30 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Introdução

Muitas empresas enfrentam o aumento das demissões no fim do ano devido a questões financeiras, reestruturações ou até mesmo para “fechar o ano” de forma mais enxuta. Porém, essa prática também pode gerar um aumento de riscos trabalhistas, caso não sejam tomadas as devidas precauções.

A rescisão de contratos é um processo delicado e, muitas vezes, se mal executado pode resultar em processos trabalhistas inesperados. Neste artigo, vamos explicar no que as empresas erram ao demitir funcionários no fim do ano e como minimizar esses riscos.


Riscos trabalhistas mais comuns ao demitir no fim do ano:


1. Falhas no cálculo de verbas rescisórias

O cálculo de verbas rescisórias é um dos pontos mais críticos e onde os erros são mais frequentes. No fim do ano, quando há um maior volume de rescisões, é fácil cometer falhas.

Dentre os erros mais comuns estão:

  • Cálculo incorreto do 13º salário (proporcional ou total)

  • Falta de inclusão do adicional de 1/3 sobre as férias

  • FGTS não depositado corretamente, ou não pago o valor da multa de 40%

Esses erros podem gerar multas e processos judiciais, além de danos à imagem da empresa.



2. Pressa na assinatura da rescisão

A pressa para fechar o ano fiscal ou para “resolver” a demissão rapidamente pode levar à pressão indevida sobre o trabalhador para assinar a rescisão sem conferir os valores corretamente.

Esse tipo de prática pode ser interpretada como abuso de poder ou coação, abrindo margem para que o empregado alegue que não foi informado corretamente sobre seus direitos ou valores devidos.



3. Não pagamento do aviso-prévio indenizado

Muitas empresas, por desconhecimento ou por tentar agilizar o processo de desligamento, não pagam o aviso-prévio indenizado de forma correta. Ou seja, a falta de pagamento do aviso-prévio no caso de demissão sem justa causa é um dos erros mais recorrentes.

O aviso-prévio é uma obrigação, e sua falta gera um ônus para a empresa, podendo resultar em ações trabalhistas.



4. Falta de documentação e de formalidades na rescisão

Se a demissão não for formalizada corretamente, seja pela falta de homologação (quando exigido), ou pela ausência de documentos que comprovem a rescisão (termo de rescisão, recibos de pagamento, etc.) a empresa pode ser alvo de questionamentos legais.

Outro erro comum é não fornecer ao funcionário todos os documentos que comprovam os pagamentos realizados, o que pode gerar desconfiança e eventual processo.



5. Discriminação e tratamento inadequado no momento da demissão

No fim do ano, muitas demissões são feitas em massa, e as condições de trabalho dos empregados podem ser desconsideradas, principalmente em questões de tratamento discriminatório ou de forma vexatória.

Isso pode gerar ações por dano moral, especialmente se o trabalhador sentir que a demissão foi injustificada ou se o procedimento foi feito de maneira humilhante.



Como evitar os erros mais comuns ao demitir no fim do ano?


1. Revisar cuidadosamente todos os cálculos rescisórios

A empresa deve garantir que todos os cálculos, como 13º salário, férias proporcionais, saldo de salário, aviso-prévio e FGTS sejam realizados corretamente. O ideal é contar com a ajuda de um contador ou especialista em departamento pessoal para evitar erros.


2. Estabelecer um procedimento claro para a demissão

Ter um procedimento padronizado e claro para demissões ajuda a evitar que falhas ocorram. Isso inclui:

  • Confirmar todos os valores e direitos

  • Garantir que todos os documentos necessários sejam fornecidos

  • Garantir que o trabalhador tenha tempo para revisar a rescisão e que a assinatura seja feita de forma consciente


3. Capacitar a equipe de RH

Investir na capacitação do time de RH, especialmente em temas como legislação trabalhista, é uma medida preventiva essencial. A equipe bem treinada é capaz de identificar e corrigir problemas antes que eles se transformem em um passivo trabalhista.


4. Planejar as demissões com antecedência

Embora as demissões no fim do ano sejam comuns, é importante planejar com antecedência para evitar a sobrecarga no processo e reduzir o risco de erros. As empresas podem usar esse período para organizar as contas e verificar as condições financeiras antes de fazer desligamentos em massa.



Perguntas frequentes (FAQ)

Demitir funcionários sem justa causa no fim do ano é mais arriscado?

Sim, porque as empresas podem estar mais distraídas com a demanda de final de ano e cometer erros na hora de calcular as verbas rescisórias. Erros simples podem gerar grandes riscos financeiros.


O que fazer se o funcionário questionar a rescisão?

Caso o funcionário questione, a empresa deve estar preparada para fornecer todos os cálculos detalhados, documentos e explicações sobre os valores pagos e as condições da demissão.


Conclusão

Demitir funcionários no fim do ano pode parecer uma prática simples, mas exige atenção redobrada para evitar erros que podem resultar em riscos trabalhistas significativos. Ao adotar processos cuidadosos e realizar os cálculos de forma precisa, a empresa pode minimizar esses riscos e proteger-se de possíveis litígios.

Se sua empresa precisa de assessoria jurídica para garantir que as demissões sejam feitas corretamente, busque a orientação de profissionais especializados para evitar problemas futuros.




 
 
 

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