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Acordo trabalhista: quando resolve e quando cria outro problema

  • Foto do escritor: Rodrigo Sarruf
    Rodrigo Sarruf
  • 6 de jan.
  • 3 min de leitura


aperto de maos no ambiente de trabalho selando um acordo.

Introdução

O acordo trabalhista é frequentemente visto pelas empresas como uma forma rápida de encerrar vínculos e evitar conflitos futuros. Em muitos casos, ele realmente pode trazer praticidade. Porém, a ideia de que o acordo “encerra tudo” nem sempre corresponde à realidade jurídica.

Sem os cuidados adequados, o que parecia uma solução pode acabar gerando novos problemas trabalhistas. Neste artigo, buscamos explicar, de forma clara, quando o acordo funciona para a empresa e quando ele pode aumentar o risco, especialmente no momento da rescisão.


O que é o acordo trabalhista na rescisão?

O acordo trabalhista permite que empregado e empregador encerrem o contrato por comum acordo, com regras específicas previstas na legislação.

Nesse formato:

  • Alguns direitos do trabalhador são mantidos

  • Outros são reduzidos

  • Há divisão de custos entre as partes

O ponto central é que o acordo exige vontade real e consciente de ambos.


Quando o acordo pode resolver para a empresa?


1. Quando há interesse mútuo no encerramento do contrato

O acordo funciona melhor quando:

  • O empregado realmente deseja sair

  • A empresa concorda com o desligamento

  • Não há conflito oculto ou insatisfação prévia

Nesses casos, o risco de questionamento futuro tende a ser menor.


2. Quando o processo é transparente

Explicar claramente:

  • Quais verbas serão pagas

  • Quais direitos serão reduzidos

  • Quais não serão devidos

A transparência reduz alegações futuras de desconhecimento ou prejuízo.


3. Quando os cálculos são corretos e bem documentados

Acordos com valores bem calculados, comprovantes de pagamento e documentação organizada ajudam a demonstrar boa-fé da empresa em eventual questionamento.


Quando o acordo pode criar outro problema?


1. Quando é usado para reduzir custos indevidamente

Utilizar o acordo apenas para evitar a multa integral do FGTS ou o aviso-prévio completo, sem real interesse do empregado, pode gerar questionamentos judiciais.


2. Quando há pressão (coação) ou indução ao trabalhador

Qualquer indício de pressão, ameaça de justa causa ou falta de alternativa real, pode levar à anulação do acordo e à responsabilização da empresa.


3. Quando a empresa acredita que o acordo impede qualquer ação futura

O acordo não impede automaticamente que o trabalhador questione direitos não pagos, erros de cálculo ou vícios de consentimento.

Essa falsa sensação de segurança é uma das principais fontes de risco.


4. Quando não há padronização interna

Empresas que realizam acordos de forma improvisada, sem critérios claros ou orientação técnica, aumentam a chance de falhas e tratamentos desiguais entre empregados.


Boas práticas para reduzir riscos no acordo trabalhista


1. Avaliar cada caso individualmente

Nem todo desligamento é adequado para se fazer um acordo. Avaliar o histórico do contrato e o contexto da saída é essencial.


2. Registrar tudo de forma clara

Documentos bem elaborados, com valores discriminados e assinaturas conscientes, ajudam a demonstrar regularidade do procedimento.


3. Alinhar RH, contabilidade e jurídico

A atuação conjunta evita erros de cálculo e decisões isoladas que podem gerar passivos trabalhistas. A assessoria jurídica, realçziada por profissional especialista, ajuda a reduzir as chances de anulação do acordo.


Perguntas frequentes (FAQ)


O acordo trabalhista elimina o risco de processo?

Não. Ele pode reduzir riscos, mas não elimina a possibilidade de questionamentos, especialmente se houver falhas.


A empresa pode propor acordo em qualquer situação?

Pode propor, mas a aceitação deve ser voluntária e compatível com o contexto do desligamento.


Conclusão

O acordo trabalhista pode ser uma ferramenta útil para a empresa, desde que utilizado com critério, transparência e responsabilidade. Quando mal aplicado, pode transformar uma tentativa de solução em novo problema jurídico.

Mais do que rapidez, o acordo exige cautela e planejamento.

Para avaliar se o acordo trabalhista é adequado em cada situação e reduzir riscos, é recomendável contar com orientação jurídica especializada na tomada de decisões.


 
 
 

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